A Leveza
da Terra
Residentes
As peças estão à venda. Para comprar uma peça ou saber mais, escreve para ceramistashop@gmail.com com o nome da artista e da peça.

Sofia Condeço
Sofia Condeço é estudante de Pintura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, onde concluiu recentemente o terceiro ano do curso. O seu percurso artístico teve início no ensino secundário, com a formação em Artes Visuais.
Ao longo dos últimos três anos, tem desenvolvido um projeto artístico centrado na relação entre o homem, o animal e a natureza. No seu trabalho, explora a perspetiva humana enquanto observador, uma presença que acompanha o que a rodeia sem necessariamente interferir. Quando essa presença se torna mais ativa, acontece através da integração: o homem participa nos rituais da natureza em vez de se limitar a testemunhá-los.
A pintura e o desenho são os meios privilegiados da sua prática, à qual se tem juntado, com importância crescente, o trabalho em cerâmica.
Desde 2023, participou em diversas exposições coletivas em Lisboa, incluindo várias edições das Galerias Abertas das Belas-Artes (GABA), a exposição Fora de Zona, na Galeria Liminare, a residência artística Casa da Ladra (SAFRA) e Éden, com curadoria de Alice Custodio e Capi.


Mariana Golin
Mariana Golin é uma artista brasileira radicada em Cascais.
A sua prática artística nasce da investigação sobre o invisível e sobre as forças que atravessam a experiência humana: memória, afetos, desejos, relações, espiritualidade e tempo.
Com uma trajetória ligada ao campo académico e científico, na área da saúde, encontra na cerâmica um espaço de encontro entre matéria, corpo e experiência. O barro torna-se, para Mariana, matéria viva de investigação e transformação.
As suas esculturas procuram tornar sensíveis forças que não são imediatamente visíveis, explorando a experiência humana como um processo contínuo de sedimentação, ruptura e transformação.


Magdalena Lorca
Magdalena Lorca é chilena, designer teatral, ceramista e artista visual. Formou-se em Artes, com especialização em Design Teatral, pela Universidade do Chile, em 2020. Desde então, construiu parte importante da sua trajetória em Espanha, para onde se mudou em busca de formação especializada em cerâmica.
O seu primeiro contacto com Valência aconteceu em 2019, através de um intercâmbio em Belas-Artes na Universidade Politécnica de Valência, viabilizado por uma bolsa Santander. O vínculo com a cidade aprofundou-se nos anos seguintes: em 2023 tornou-se Técnica Superior em Cerâmica Artística pela Escola d’Art i Superior de Ceràmica de Manises, ano em que também recebeu a Bolsa Lladró para um estágio na renomada empresa de cerâmica. Atualmente, frequenta o Mestrado em Produção Artística na mesma universidade.
A sua prática artística desenvolve-se através da experimentação cerâmica como gesto político, atravessada por uma perspetiva decolonial e antirracista. Faz parte do coletivo feminista e antirracista de mulheres migrantes e racializadas “Mujeres, Voces y Resistencias”.
Para Magdalena, o barro é matéria viva que sustenta a vegetação e resiste ao esgotamento imposto pelo ambiente hostil. Nos trabalhos mais recentes, torna-se território de memória e cuidado, onde corpo e natureza se cruzam para questionar exploração, fronteira e espólio, articulando reflexões sobre deslocamento forçado, desenraizamento e pertencimento no contexto europeu contemporâneo.
A sua obra já foi selecionada para prémios e exposições coletivas relevantes em Espanha, e a sua atuação estende-se também à curadoria e à produção cultural.
Máscaras: 150 € cada, ou 600 € as quatro.





Kseniia Fokina
Kseniia Fokina nasceu no Extremo Oriente da antiga URSS, mas foi em Kyiv que construiu grande parte da sua vida e do seu percurso profissional enquanto ceramista, curadora e tecnóloga cerâmica.
Em 2017, fundou a Eye Sea School, uma escola de cerâmica onde forma ceramistas, presta consultoria técnica a marcas e pequenas produções e organiza residências artísticas que aproximam a cerâmica de criadores de outras áreas. Criou também a Eye Sea Gallery, um espaço independente em Kyiv dedicado a artistas emergentes, projetos curatoriais e à criação de ligações entre artistas.
Com a intensificação da guerra na Ucrânia, Kseniia deixou Kyiv e mudou-se para o Porto no início de 2026, onde dá continuidade ao seu trabalho artístico e profissional.
A sua obra parte da memória, da mitologia, do folclore e do simbolismo medieval, explorando estes repertórios através da cerâmica. Interessa-lhe particularmente a forma como um objeto pode carregar imagem e significado, e como o barro, o volume, a superfície, a cor e o vestígio da mão podem transformar uma peça em personagem, artefacto ritual ou fragmento de uma arqueologia imaginária.







Kimie Ino
Kimie Ino é uma ceramista nipo-brasileira que transformou uma paixão pela cerâmica num ofício de vida.
Licenciada em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (USP), com Mestrado em Ciências e investigação na área dos materiais cerâmicos, decidiu, em 2012, mudar-se para o Japão para aprofundar os seus estudos em cerâmica tradicional.
Desde então, construiu um percurso internacional marcado por residências artísticas, bienais e concursos de destaque, reunindo prémios e reconhecimentos ao longo do caminho.
Em cada peça, Kimie estabelece um diálogo entre o Brasil e o Japão, entre tradição e contemporaneidade, entre a matéria e a memória.


Diana Santos
Diana Santos é uma artista plástica portuguesa. Licenciada em Belas-Artes pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, encontra-se atualmente a concluir o Mestrado em Pintura, enquanto frequenta um semestre Erasmus+ na Kunsthochschule Kassel, na Alemanha.
A sua prática artística explora o processo de criação, a repetição e a transformação das imagens através do gesto. O toque é um elemento central no seu trabalho, presente na construção de cadernos, telas, peças em barro e desenhos que se cruzam e evoluem continuamente a partir de referências do quotidiano e de gestos intuitivos.
No centro da sua investigação encontra-se a obra é preciso começar por algum lado (2025–), um projeto em permanente construção, onde as ideias se acumulam, transformam e reinventam através da repetição e da experimentação contínua.








Joana Aleixo
A prática escultórica de Joana Aleixo nasce do encontro entre arquitetura, dança e cerâmica. Doutorada em Arquitetura, a artista investiga o movimento como expressão da matéria, explorando o equilíbrio entre tensão, fragilidade e resistência através do barro.
Artista residente na Fábrica Moderna, em Lisboa, o seu percurso tem sido marcado por uma investigação contínua sobre as possibilidades da cerâmica, apresentada em exposições coletivas e distinguida com a seleção de obras para a De Barros Gallery e para a Bienal de Arte de Mértola.
As suas esculturas revelam uma pesquisa onde a matéria parece desafiar a gravidade, explorando a relação entre movimento, equilíbrio e leveza a partir da terra.




Krishma Waheed
Krishma Waheed nasceu na Holanda e estudou Arquitetura Paisagística na Universidade de Wageningen. Foi durante esse período que percebeu que a sua verdadeira paixão estava ligada ao trabalho manual e às artes.
Em 2021, mudou-se para Portugal, onde aprendeu a língua e a cultura portuguesas. Foi esta mudança de vida que a levou a experimentar o trabalho com barro. Encantou-se pela cerâmica e decidiu aprofundar progressivamente a sua prática através de cursos e formações, desenvolvendo as suas técnicas e aperfeiçoando o trabalho no torno de oleiro.
Mais tarde, realizou também um estágio num estúdio de cerâmica, onde teve oportunidade de explorar projetos próprios e trabalhar com barro selvagem.
Atualmente, o seu trabalho é profundamente inspirado pela natureza. Krishma incorpora elementos naturais nas suas peças, refletindo também as suas experiências em Portugal e a relação com a vida junto ao oceano.


A matéria em ascensão
A cerâmica é, talvez, a arte que mais intimamente lida com a gravidade. Do peso da massa bruta à fragilidade de uma peça, o percurso da argila é uma busca constante pelo equilíbrio. Nesta residência, propomos um desafio aos sentidos: investigar A Leveza da Terra.
O tema convida à exploração de dois horizontes que se fundem no toque do artista.
O Planeta Suspenso
Olhamos para a Terra não como um bloco sólido e imóvel, mas como um corpo celeste que flutua na vastidão. É a percepção da nossa casa comum como uma escultura de equilíbrio precário, uma "esfera de argila" suspensa no vácuo do cosmos.
A Argila Alada
No atelier, a leveza manifesta-se no desafio técnico. É a busca pelas paredes finas, pelas transparências, pelas texturas, pelos vazios que deixam o ar atravessar a forma. É o momento em que a água se evapora no forno e o que era denso e plástico torna-se rígido, porém etéreo.
Convidamos ceramistas a desconstruir ideias à volta do barro. Queremos obras que questionem a massa e o volume, explorando:
- A tensão entre o vazio e a forma
- A resistência estrutural no limite
- A poética da suspensão e do equilíbrio
- O diálogo entre a origem telúrica do material e a sua aspiração ao ar
Nesta residência, a terra não nos prende ao chão; ela serve de base para o voo. O suporte é o barro, mas o objetivo é a imponderabilidade.
Estrutura do programa
Distribuição de vagas por local
Quem acompanha o programa
Clara Sant'Anna
Clara Sant'Anna estudou artes em Londres entre 1974 e 1979, na tradicional Harrow School of Art, e especializou-se em Ceramic Design na Chelsea School of Art. Pioneira da cerâmica contemporânea no Rio de Janeiro durante a década de 1980, participou de exposições coletivas nas principais capitais brasileiras e em cidades europeias como Roma, Madrid e Lisboa.
O seu trabalho recebeu reconhecimento internacional, com menções em publicações especializadas da Austrália, França, Espanha e Argentina. Por mais de dez anos, pesquisou e desenvolveu projetos com cerâmica voltados à educação especial, nomeadamente no Instituto Benjamim Constant no Rio de Janeiro.
Atualmente vive no Porto, Portugal, onde continua a ensinar cerâmica e a criar peças autorais em alta temperatura, mantendo uma trajetória marcada pela inovação, sensibilidade e compromisso com a arte como forma de transformação.
Destaques da trajetória
- Chelsea School of Art (Ceramic Design) e Harrow School of Art, Londres
- Exposições internacionais: Roma, Madrid, Lisboa, Rio de Janeiro, São Paulo
- Prémio Mário Rosado — 1.º lugar, 32.º Congresso Brasileiro de Cerâmica (1988)
- Publicações: Ceramic Art and Perception (AU), La Revue de la Céramique (FR), Cerámica/Keramos (ES)
- 11 anos de trabalho com cerâmica e educação especial (Instituto Benjamim Constant)
Cátia Fernandes
Cátia Fernandes, ceramista e gestora cultural com percurso consolidado na cerâmica, ao longo do qual tem desenvolvido formação contínua em diversas técnicas e práticas artísticas.
Enquanto sócia-gerente da Ceramista Shop, tem vindo a afirmar-se igualmente na dinamização cultural, destacando-se como promotora e criadora de duas edições do Oeiras Ceramic Art.
Complementa a sua prática com um interesse pela reflexão curatorial, tendo frequentado cursos livres de Curadoria que reforçam a articulação entre a sua criação artística e o pensamento crítico.
O que está incluído
A residência oferece um ambiente completo de criação, onde o artista pode focar-se inteiramente no desenvolvimento do seu projeto.
- Curadoria artística e acompanhamento por Clara Sant'Anna e Cátia Fernandes
- Espaço de atelier partilhado com bancadas e infraestrutura de modelação
- Argilas, engobes e vidrados básicos fornecidos pela Ceramista Shop
- Acesso a fornos elétricos para cozeduras de baixa e alta temperatura
- Ferramentas de modelagem, tornos e equipamento de atelier
- Exposição coletiva final em Lisboa e no Porto
- Certificado de participação na residência artística
- Registo fotográfico do processo e das peças finais
Como participar
As candidaturas decorrem de 20 de Maio a 30 de Junho de 2026 e devem ser submetidas exclusivamente por email. O candidato deve indicar claramente o local pretendido (Oeiras, Porto ou Lisboa).
Critérios de avaliação
Documentos obrigatórios
- Email para ceramistashop.residencia@gmail.com com assunto: RESIDÊNCIA CERAMISTA SHOP
- Indicar no corpo do email o local de preferência: Oeiras, Porto ou Lisboa
- CV atualizado com todos os contactos pessoais, incluindo morada, em PDF
- Cópia do documento de identificação (Cartão de Cidadão, Passaporte ou equivalente)
- Portfólio com imagens de trabalhos anteriores em PDF
- Projeto: carta de motivação, esboço do projeto a realizar, objetivos e descrição
Nota: Candidaturas incompletas ou fora do prazo não serão consideradas. Os resultados da seleção serão comunicados até às 23h59 do dia 30 de Junho de 2026.
Datas importantes
Normas de utilização
O cumprimento deste regulamento é condição obrigatória para a participação na residência. A aceitação da vaga implica a concordância integral com todas as normas aqui descritas.
Os artistas residentes devem cumprir o horário estabelecido (segunda a sexta, 10h–13h) e gerir o seu projeto de forma autónoma consoante o planeamento feito com a curadoria.
O atelier deve ser mantido limpo e organizado no final de cada sessão. Os artistas são responsáveis por limpar as suas bancadas, ferramentas utilizadas e áreas de trabalho. Danos causados a equipamento por uso negligente ou indevido serão da responsabilidade financeira do artista.
A residência inclui os materiais cerâmicos e queimas definidos em conjunto com a curadoria. Outros materiais não especificados no planeamento do projeto serão por conta do artista, podendo ser adquiridos na Ceramista Shop com desconto especial.
As queimas são coordenadas pela equipa técnica da Ceramista Shop. Os artistas devem respeitar os calendários de queima estabelecidos e preparar as peças conforme as especificações técnicas indicadas. Não é permitido operar os fornos sem autorização.
As obras produzidas durante a residência são propriedade exclusiva do artista. A Ceramista Shop reserva o direito de utilizar imagens das obras e do processo criativo para fins de divulgação e documentação do programa, com crédito ao artista.
A participação na exposição coletiva final (Lisboa e Porto) é obrigatória e parte integrante do programa. O artista deve disponibilizar no mínimo 2 peças para a exposição. As peças devem estar concluídas até ao último dia da residência. A venda de peças durante a exposição é opcional e gerida diretamente pelo artista.
O espaço de atelier é partilhado. Espera-se respeito mútuo, silêncio adequado ao trabalho criativo e colaboração. Não é permitida a presença de acompanhantes ou visitantes no atelier sem autorização prévia.
A Ceramista Shop não se responsabiliza por objetos pessoais, peças danificadas durante o processo de cozedura (riscos inerentes à prática cerâmica) ou acidentes causados por incumprimento das normas de segurança. Recomenda-se seguro pessoal.
Em caso de desistência após confirmação, o artista deve comunicar até ao dia 20 de Julho de 2026. A vaga será oferecida ao próximo candidato na lista de espera.
Poderão ocorrer sessões de fotografia e vídeo durante a residência para fins documentais. Ao aceitar a residência, o artista autoriza a utilização da sua imagem e do registo do seu trabalho para divulgação do programa, catálogo da exposição e redes sociais da Ceramista Shop.
A Ceramista Shop reserva o direito de proceder a ajustes no calendário, horários ou locais de exposição por motivos de força maior, comprometendo-se a comunicar qualquer alteração com a maior antecedência possível.
Envia a tua candidatura
Envia um email com os documentos obrigatórios.
Assunto: RESIDÊNCIA CERAMISTA SHOP
"A terra não nos prende ao chão; ela serve de base para o voo."